bis e tris
nessa última quinta voltei ao effendi.
dessa vez fui com a srta t e com o sr jb. como podem ver fui muito bem acompanhado, faltou um amigo da onça, o sr etna, que deu o segundo cano dessa semana. o sr etna estava na folga há muito e agora anda muitíssimo ocupado aumentando exponencialmente a pança em testes consecutivos do cardápio do seu novo restaurante. testes dos quais eu participei de alguns e fiquei muito contente. mas isso é papo prá depois.
voltemos ao effendi.
lá, na segunda ou terceira travessa da bizarra rua são caetano, numa rua em reformas e temporarimente sem saída, há trinta e sete anos está o effendi. é um lugar despojado, sem luxos, tem as paredes coberta por azulejos com rosas rosas desenhadas, fica praticamente escondido do mundo. da entrada se divisa uma vitrine que, supostamente, seria para expor as esfihas produzidas ali mas, no entanto, estão sempre vazias já que as esfihas são assadas no minuto; segue uma longa barra, um balcão com banquinhos fixos, que adentra e termina no caixa onde o seo armando reina soberano desde os primórdios; há algumas mesas na frente do caixa e no fundão uma espaçosa cozinha.
pedidos feitos, joguei minha conhecida timidez ao lixo e fui conversar com seo armando.
seo armando e este vosso escriba a confabular
papo vai, papo vem, seo armando disse que é sobrinho do velho e finado garabed dono da casa de mesmo nome que o filho toca hoje em dia. falamos sobre o maravilhoso forno feito à maneira armênia que seu tio construíra em santana há mais de cinco décadas. a simpatia, singeleza e amabilidade de seo armando se reflete no cardápio da casa, enxuto e essencial, como convém a um bom lugar de repasto. no entanto, não se reflete na comida.
em primeiro plano uma esfiha fechada de queijo e espinafre, ao lado direito duas abertas de carne e a de bastramá ao lado esquerdo
as esfihas ali servidas amplificam todas as qualidades do seo armando, são leves, saborosas, sublimes. são servidas com tempero no ponto exato, assadas na hora, a massa é leve e sequinha, não dá azia como sói a maioria das esfihas que eu devoro nos jabers, almanaras, supermercados e outras franquias da vida em momentos de desespero famélico. além das esfihas tem o homus, o kibe cru com aquela carninha moída frita por cima, coalhada – cá entre nós acho a coalhada um tanto ácida, mas isso é questão de gosto – tem também babaganush e outros quetais tradiconais lá da ásia menor, tem alguns acepipes menos dignos de nota como a esfiha de tomate seco. baal não deve gostar muito disso.

os deliciosos ovos mexidos com bastramá
mandamos um prato que nem o casal nem eu havíamos comido: ovo mexido com bastramá – bastramá é uma carne curtida em vários temperos e resulta em algo que de longe, bem longe, lembra a cara e a textura da bresaola (o gosto é completamente diferente) e pelo que soube come-se aqui em são paulo em apenas três lugares: na casa garabed (em santana), no restaurante do carlinhos (no pari) e no seo armando.
na minha primeira experiência com bastramá na casa garabed achei a carne carregada no sal e um tanto pesada, no effendi o jogo vira, a carne é leve, delicada, vem fininha, na quantidade certa sobre a esfiha com queijo, equilbrando todos os sabores sem se sobrepor. um primor. a casa garabed passou para segunda melhor esfiha de são paulo na minha modesta opinião.
epa, voltemos ao ovo mexido. como dizia, mandamos às tripas o delicioso ovo mexido que estava molhadinho, no ponto, misturado com as lasquinhas de bastramá. se eu fosse um crente diria que comer isso seria como falar com anjos.
não resisti e perguntei ao venerável seo armando se era produção própria ou ele comprava de algum fornecedor. não só ele me disse que tinha uma senhora de quem comprava como me deu o telefone dela e me disse para falar em nome dele quando fosse fazer minha encomenda. genial. além disso me contou que quem primeiro fazia “o” bastramá era o marido dessa senhora, que passou dessa para melhor e deixou a ciência da cura com sua viúva.
no meio do almoço disse aos meus companheiros de mesa (companis>companheiros = aqueles que dividem o pão) sobre o falafel malka, comentei que ficava lá perto e que há umas semanas tive uma experiência sensacional comendo o falafel de lá. resolvemos então não exagerar no effendi e comer um falafel no malka como se fosse um secondo piatto. dito e feito. pagamos nossa conta que deu oitenta pratas para os três e rumamos para a rua josé paulino que fica logo ali do lado.
ao chegar no malka, para minha surpresa, o senhor que estava lá na minha última visita e parecia ser o dono, tinha sido substituído por sua sobrinha, a cozinheira não me pareceu a mesma, o lugar estava completamente vazio exceto por um lugar ocupado no mini balcão – transbordava de gente da outra vez – e o falafel… putz, tava completamente diferente do que eu havia comido na última visita. desta feita estava com um gosto exagerado de cominho, muito pastoso e sem crocância nenhuma. acho que o óleo não estava suficientemente quente ou a receita foi preparada de outra maneira, sei lá. fiquei com cara de tacho na frente dos meus exigentes amigos. foi ruim mesmo, uma pena, melhor nem lembrar. não comemos bem e logo fomos embora, todavia hei de dar outra chance ao malka.
na próxima semana quero ir ao tradicional bairro do pari, chamarei os companheiros gastro-aventureiros e, quem sabe, volto a escrever mais sobre comidas e lugares para nos restaurarmos em vez de falar de política, vídeos e internet, que são assuntos mais insossos, batidos e e mormente nossa política me causa muita asia e tristeza.
bem, já passa de meia-noite e eu nem tomei minha canjinha. vou papar e cair por que amanhã tem acadjimia e minha gota tem que melhorar 100% até lá.
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uh! quase me esqueço, dos créditos!
essas fotos foram cedidas pela srta t e provavelmente também serão usadas num post casado lá no novo boteco do jb.
reparem na foto do cabeçalho de lá, notem se não há alguém conhecido ali… rsrsrs













