"Fomos ao quintal. Meu avô encostou a velha escada com manchas de tinta ao lado do tanque e subiu até a caixa d'água.
– Anda, vem ver!
Fui puxado pela mão do gigante até o alto.
Meu avô afastou a tampa da caixa.
– Olha...
A lua cheia se refletia na água quita.
Ergui os olhos para o céu.
– É a lua!
–Aquela, não. Aquela é gelada, feita de pedras, uma espécie de vulcão extinto. Agora, essa aqui, dentro da caixa d'água é a lua da zona norte. Põe a mão nela... Viste? É trêmula e tépida como as mulheres."
do livro Vila Isabel, inventário da infância.
Posted by alberto at fevereiro 7, 2006 11:49 AMvc está com gota?
coitada da gota!
gostei..lua na caixa d'água..bjos
Posted by: Ana at fevereiro 7, 2006 06:08 PMtépidas, no sentido de mornas ou frouxas?
Posted by: anna at fevereiro 8, 2006 05:53 PMAldir Blanc é um letrista exuberante. Era um prosador meio mão pesada, quase chato. Pelo texto em epígrafe, parece que a idade lhe fez bem.
Posted by: jayme at fevereiro 8, 2006 06:58 PM